Prefeitura rebate Sanepar e afirma que companhia foi avisada sobre riscos de alagamento em elevatória de esgoto
Após denúncias de extravasamento de esgoto no Jardim Gutierrez, gerente da Sanepar aponta impacto das chuvas e das obras do Parque do Lago. Município afirma que concessionária conhecia a intervenção e havia sido formalmente notificada em dezembro de 2025.
Fotos: noticiascm.com.br Moradores das proximidades do Parque do Lago, em Campo Mourão, denunciam problemas de extravasamento de esgoto em uma estação elevatória da Sanepar, localizada no Jardim Gutierrez. No local, foram observados acúmulo de água, resíduos e material fecal, além de mau cheiro. Segundo relatos da comunidade, a situação não é recente e tem provocado preocupação entre os moradores.
Em entrevista ao Portal de Notícias, a gerente da Sanepar em Campo Mourão, Araceli, explicou que a estação elevatória é antiga e que o excesso de chuvas, associado ao aumento do nível da água na região após as obras do Parque do Lago, provocou alagamentos na estrutura.
Segundo a gerente, a água do Rio do Campo estaria entrando na caixa de acumulação da elevatória, fazendo com que o sistema trabalhe sobrecarregado. Para enfrentar a situação, a companhia realizou um aterro no entorno da estrutura e colocou três bombas em operação. Outras três bombas também foram instaladas na elevatória subsequente.
Sanepar prevê novas estruturas
Araceli informou que a companhia trabalha com medidas de curto, médio e longo prazo.
Entre as intervenções previstas estão a construção de duas elevatórias auxiliares, uma nas proximidades da ponte de madeira do Parque do Lago e outra na entrada da antiga Associação dos Médicos. Também está prevista a implantação de uma nova linha de recalque pela Rua Formosa.
A longo prazo, a Sanepar pretende construir uma nova estação elevatória em uma cota superior, buscando evitar que a estrutura seja novamente atingida por alagamentos.
Sobre os resíduos encontrados no local, a gerente afirmou que o material retido no gradeamento é recolhido diariamente, três vezes ao dia, por uma empresa terceirizada, e encaminhado ao aterro sanitário. Também garantiu que, após a redução do nível da água, será realizada a limpeza e desinfecção da área.
Prefeitura contesta versão da companhia
Após as declarações da gerente, a Prefeitura de Campo Mourão divulgou um posicionamento contestando a versão de que a Sanepar não teria recebido informações antecipadas sobre os riscos relacionados às obras do Parque do Lago.
Segundo o Município, as intervenções de desassoreamento do Parque Joaquim Teodoro de Oliveira possuem licença ambiental, foram divulgadas desde 2023 e receberam aprovação do Conselho Municipal de Meio Ambiente, do qual a própria Sanepar faz parte. As obras também estão sob fiscalização do Ministério Público do Paraná.
A administração municipal afirma ainda que, em 19 de dezembro de 2025, encaminhou uma contranotificação extrajudicial à companhia, por meio das Secretarias Municipais de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal (SEMA) e de Infraestrutura, Segurança e Mobilidade Urbana (SEIMOB).
No documento, a Prefeitura questionou as condições da estação elevatória instalada em área sujeita a alagamentos e cobrou providências para evitar o derramamento de efluentes no Rio do Campo.
O Município também solicitou documentos e esclarecimentos técnicos, incluindo projetos aprovados da estação, licença ambiental, decreto de utilidade pública para instalação em Área de Preservação Permanente (APP), capacidade de armazenamento, dimensionamento do sistema e dispositivos de segurança contra transbordamentos.
Município cobra responsabilidades
A Prefeitura argumenta que a vulnerabilidade da estrutura não pode ser atribuída automaticamente às obras do Parque do Lago. Segundo o posicionamento municipal, a própria notificação encaminhada anteriormente pela Sanepar reconhecia que chuvas de baixa intensidade já eram suficientes para provocar a submersão das bombas.
O Município afirma que a concessionária tinha conhecimento das intervenções e participou das discussões anteriores à execução das obras.
Em seu posicionamento, a administração municipal destaca que a Sanepar, como responsável pela prestação dos serviços de saneamento no município, deve garantir a adequada operação de suas estruturas e a continuidade do serviço.
A Prefeitura informou que pretende adotar medidas administrativas e legais para exigir esclarecimentos, intervenções necessárias e a proteção do Rio do Campo e da população.
O caso coloca em discussão as responsabilidades pela situação da estação elevatória e a necessidade de uma solução definitiva para evitar novos episódios de extravasamento de esgoto em uma área próxima ao Parque do Lago.





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